quinta-feira, 24 de novembro de 2011

L'Âge Mûr



Crescemos acreditando que somos protagonistas na história de nossas vidas. Em nossas fantasias somos os heróis, os vilões, a mente sinistra por trás do plano macabro, Oz atrás das cortinas, narrador onisciente e personagem principal.

Acreditamos que ao final do dia cavalgaremos rumo ao pôr do sol após vencer a batalha. Passaremos a noite em baladas interplanetárias após derrubar o Império. Festejaremos à beira do abismo a vitória final sobre um Mal Antigo.

Então um dia acordamos no meio da noite. Sozinhos. Tentando lembrar o sonho que acabamos de ter. 

E percebemos que a vida não é ruim, mas também não é excepcional. A vida apenas continua em direção ao final inevitável.

E vemos que nunca fomos os protagonistas. Nem em nossas vidas. Nem nas vidas que tocaram as nossas.

Somos apenas mais um ex-marido, um ex-namorado, um ex-"peguete", um encontro "one night stand". Um ex-funcionário, ex-aluno, antigo cliente, mais um patrão. Um amigo entre tantos, um mero conhecido, o cara estranho com quem só falamos no elevador.

Somos apenas mais uma história que as pessoas que passaram por nossas vidas contam a outras pessoas que não nos conhecem.

E, talvez, aquelas que escutam essas histórias fiquem entretidas. Talvez elas até achem nossos personagens interessantes. Talvez até se identifiquem com eles.

Mas, essas histórias serão esquecidas. Nosso papel ficará cada vez mais obscuro. Nosso significado será paulatinamente apagado.

Logo, não seremos sequer uma lembrança. Nossos rostos serão esquecidos. Nossos nomes, enterrados.

Melhor não sermos protagonistas. Melhor, talvez, sermos os autores.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

La Tristesse Durera Toujours



Então, blog? Não nos vemos desde maio deste ano. São 5 meses de afastamento.

"E o que aconteceu nesse período?", você pergunta.

Ah, conheci pessoas; fiz amizades; passei por encontros e reencontros; sai sozinho e acompanhado; fui a boates, barzinhos e festas; assisti a shows nacionais e internacionais; viajei dentro e fora do Brasil, sozinho e com meu filho; tomei chuva, trabalhei, malhei, adoeci, me curei.

Achei que tinha conhecido The One e que tudo daria certo.

Não deu.

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O que eu aprendi, então, blog?

Bom, aprendi que com a idade e um certo tempo dedicado a pensar nos erros passados você consegue pensar um pouco mais antes de falar. Consegue respirar e considerar todas as hipóteses antes de pensar bobagens. Aprende o que é realmente importante para você em um relacionamento. Nota quando é a hora de cair fora antes que alguém se machuque. Aprende que também é vulnerável e que se machuca, por mais invulnerável que tente parecer.

E aprende que sempre que algo especial acaba a sensação é a mesma: "la tristesse durera toujours" ("a tristeza vai durar para sempre").

Palavras finais de Van Gogh.

Palavras finais para qualquer relacionamento que valia a pena.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

the long and winding road is closed to you


Ele passou o fim de semana sozinho em casa. A sua entourage estava dispersa e nada havia que lhe animasse a abandonar o calor do lar.

O tempo sozinho permitiu que se concentrasse em terminar de fazer sua casa voltar a ser o que era quando era somente sua. Papéis foram jogados fora, backups enterrados em HDs que foram pro fundo da gaveta, revistas descartadas e o quarto que lhe servia de escritório começava a voltar a ser o que era quando sua vida era só sua.

Pensava nela ocasionalmente, mas agora com a certeza de que era melhor não passar do pensamento. E este pensamento já não era o proeminente no seu dia. Há quase 1 mês deixara de acompanhar a presença online dela. Era um esforço diário recompensado pelas ausência da angústia que poderia surgir (não havia como saber se angústia haveria, mas melhor não arriscar).


E então chega o e-mail dela: breves palavras que tentavam descobrir como ele estava e buscar consolo por tê-lo abandonado. Sim, aquela que o abandonou procurava consolo por tê-lo deixado para trás.

Não era uma proposta de relacionamento, não era uma declaração de amor, era apenas alguém procurando consolo no mesmo colo que havia rejeitado.

Perplexidade e ódio foram suas primeiras reações. E então compreendeu o que devia fazer.

Só é possível vencer alguns jogos não jogando. As outras vezes que ela partira lhe ensinaram isso. E as outras vezes que ela buscou consolo nele após tê-lo abandonado também foram cruéis professoras.

Embora fosse do tipo que aprende lentamente, em algum momento ele aprendia.

A perplexidade e o ódio foram substituídos pela calma e pela certeza: não lhe responderia e não lhe daria atenção. De agora em diante, e-mails seriam tratados como o resto da presença online dela. Seriam ignorados, bloqueados e apagados sem que se desse ao trabalho da leitura.

Foi dormir tranqüilo porque sabia que começara a quebrar o ciclo da auto-sabotagem.

Todos devem arcar com as conseqüências de suas decisões e sustentar suas posições. Ela quis ir embora. Ela se foi. Ela que se dane.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

terça-feira, 11 de agosto de 2009

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Cléo de Cinq à Sept


Toutes portes ouvertes
En plein courant d'air
Je suis une maison vide
Sans toi, sans toi.

Comme une île déserte
Que recouvre la mer
Mes plages se devident
Sans toi, sans toi.

Belle, en pure perte
Nue au coeur de l'hiver
Je suis un corps avide
Sans toi, sans toi.

Rongée par le cafard
Morte, au cercueil de verre
Je me couvre de rides
Sans toi, sans toi.

Et si tu viens trop tard
On m' aura mise en terre
Seule, laide et livide
Sans toi, sans toi,
Sans toi.

domingo, 5 de julho de 2009

Amanhecer em Brasília

It's always darkest before the dawn.